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E se o 'hoje' fosse para sempre?

H ouve uma altura em que imaginei na minha cabeça um cenário em que um Médico estava a falar com a Catarina, a dizer que não havia progressos desde o meu internamento. Na minha cabeça, desenhou-se um cenário que, de tão nítido, se tornou a minha verdade: vi um médico a falar com a Catarina. As palavras dele ecoavam com uma frieza definitiva: não havia progressos desde o meu internamento.  O que visualizei na minha cabeça era uma imagem em que eu estava numa garagem a ser deslocado para uma ambulância e a conversa decorria como forma de enquadrar a minha transferência para uma instituição de outro género de cuidados que não um hospital. Pareceu-me igualmente perceber que este era um dia especial porque era o dia do meu aniversário. Ora, tendo em conta que o meu aniversário é em Novembro, isto queria dizer que eu estava desde Março até Novembro no mesmo estado, ou seja, 8 meses. O Coma tinha sido um grande vazio que não me tinha deixado memória e agora que despertava, estava apenas a...

A Decisão Crítica: A Caminho do Amadora-Sintra

 A 14 de Março a Catarina começou a achar que o melhor seria eu ser transferido do Hospital privado para onde tínhamos ido na madrugada de dia 10, para o Hospital Público da nossa Zona: HFF - Hospital Dr. Fernando Fonseca, conhecido como Amadora-Sintra. Hoje guardo memória de curtos momentos desse período. Um deles é, precisamente da Catarina falar-me da possibilidade de ser transferido para o HFF. Nestes dias - dia 11 Sábado e 12 Domingo - começou a ser ventilado como possível diagnóstico a Síndrome Guillain-Barré. Esta doença Auto Imunitária é muito difícil diagnosticar porque o diagnóstico surge frequentemente por exclusão de partes, ou seja, é preciso realizar diversos exames para descartar outras patologias até restar esta hipótese Tenho consciência que para a maioria das pessoas este hospital não é uma boa referência. No entanto a Catarina recebeu boas indicações da unidade para onde seria transferido: Unidade de Cuidados Intensivos - UCI. O que se veio a verificar após ...

Faz hoje 3 anos

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  Há precisamente 3 anos eu vivi um dia que descreveria como ir “dos 100 ao 0” em 24 horas. Entrei de madrugada nas urgências sem conseguir engolir. Estamos a falar de algo básico, que qualquer pessoa normal faz sem pensar. No entanto passei a madrugada com um copo dos dispensadores de água na mão para nele ir deitando a saliva que não conseguia engolir. A meio do dia fui internado numa enfermaria com o aviso: “Sr. Paulo, provavelmente vamos ter que o intubar”. De repente percebi que a minha existência estava em perigo!